sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fraudes pelo Internet Banking

A fraude no Internet Banking existe desde o momento em que o serviço foi disponibilizado pelas Instituições Financeiras. No Brasil, isto ocorreu na segunda metade da década de 90 (1), passando a existir desde então uma crescente demanda pela utilização do serviço, que representa hoje parcela considerável das transações financeiras bancárias.

Conforme estimativas do Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais (IPDI) divulgadas através de seu Diretor Otávio Artur, as perdas com fraudes pelo Internet Banking, após alguns anos com perdas expressivas, têm apresentado uma tendência de redução (2), principalmente se considerado o crescimento no número de usuários.

Em 2005 o número de usuários cresceu 49,7% passando para 26,3 milhões (3). Estatística divulgada 27/05/2008 informava que em dezembro de 2007 existiam 30,0 milhões de usuários, crescimento de 9,2% em relação a 2006 e de 259% em relação ao ano de 2.000 (4).

Como referência no ano de 2006 foram verificados 197 mil incidentes de segurança na internet brasileira, quase três vezes aos cerca de 68 mil registrados em 2005. Cabe destacar, no entanto que este número incluí roubos e tentativas (5).

Cabe destacar que os principais fatores dos incidentes de segurança através de transações pelo internet banking se dão no lado do usuário/cliente, que expõe seus equipamentos pela fragilidade de seus sistemas de segurança.

As três principais técnicas utilizadas nos ataques aos usuários do Internet Banking são: o scam mensagens que levam o cliente a remeter recursos indevidos; o phishing que busca capturar informações senhas para ataque posterior e o pharming onde o usuário é redirecionado para um site fraudulento efetivando então a fraude (1).

Muito tem se investido em tecnologia nos produtos oferecidos, bem como a sua segurança sistêmica. Dados da FEBRABAN dão conta que em 2007 foram investidos cerca de R$15 bilhões, 4% a mais do que os gastos em 2006 (6). Também tem se efetuado investimentos em tokens, cartões de contra-senha, anti-trojans, biometria (7), monitoramento e educação da segurança da utilização do sistema, principalmente nos canais dos próprios Bancos, evitando a mídia, que poderia levar aos usuários insegurança quanto à utilização do canal.

Como resultado destes esforços tem se observado um melhor resultado das ações de prevenção à fraude e um decréscimo em números absolutos e relativos dos prejuízos em ações junto ao Internet Banking.

Segundo dados do Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais (IPDI) em 2006 os prejuízos com fraude nos Bancos foram de R$ 300 milhões. Em 2007 as perdas caíram 40% com um total de prejuízo de R$180 milhões. Em 2008 as perdas foram ainda menores com um montante de R$130 milhões (2).

Apesar dos valores expressivos de perdas nas transações com Internet Banking, que nos últimos anos chegaram a R$ 610 milhões, o que se observa concretamente é uma diminuição nas perdas neste produto, o que leva a crer que brevemente poderá ser o principal e mais seguro meio de transacionar com Bancos.

Referências:
(1) Técnicas utilizadas para a efetivação das fraudes sobre internet banking no Brasil e no mundo - Sanches, Pedro Luis Próspero - Professor livre-docente do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e
Lau, Marcelo diretor executivo - Data Security Serviços Em Segurança de Dados Em Informática Ltda., 2006. Disponível em <http://www.datasecur.com.br/academico/Tecnicas_Uti
lizadas_para_Efetivacao_e_Contencao_das_fraudes.pdf>

(2) Prejuízo com fraudes em bankline caiu 50% nos últimos dois anos - Luca, Lygia de, repórter IDG Now. Disponível em http://pcworld.uol.com.br/noticias/2008/12/05/prejuizo-com-fraudes-em-bankline-caiu-50-nos-ultimos-dois-anos/

(3) Número de clientes de internet banking cresce 50% em 2005, diz FEBRABAN - Redação do IDG Now 11/05/2006. Disponível em<http://idgnow.uol.com.br/internet/2006/05/11/idgnoticia.
2006-05-11.0033919289/

(4) Brasil tem 30 milhões de usuários de internet banking - Fabiana Monte, do computerworld -
Disponível em <http://computerworld.uol.com.br/mercado/2008/05/27/brasil-tem-30-milhoes-de-usuarios-de-internet-banking/>

(5) Fraude em bankline deu prejuízo deR$300 milhões em 2006, estima IPDI - Redação do IDG Now 02/02/2007. Disponível em <http://computerworld.uol.com.br/mercado/2008/05/27/brasil-tem-30-milhoes-de-usuarios-de-internet-banking/>

(6) Bancos gastaram R$ 15 bilhões com tecnologia em 2007 - Fabiana Monte, do computerworkd - Disponível em<http://computerworld.uol.com.br/mercado/2008/05/27/bancos-gastaram-r-15-bilhoes-com-tecnologia-durante-2007-diz-febraban/>

(7) Ataques ao internet banking aumentam 20%, mas fraude caem 25% - Cristina de Luca - Convergência Digital - 03/12/2008 - Disponível em < http://www.convergenciadigital.com.br/
cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=17036&sid=18>

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nesta postagem publico o resumo da minha dissertação de conclusão de curso, onde discorro sobre o sistema financeiro e risco. Esta rápida leitura é bem provocativa.

O papel de intermediação desenvolvido pelo sistema financeiro o transforma num setor de grande importância no contexto econômico. Isto não apenas pela função de financiador da produção e de remunerador da poupança e do investimento, mas nos últimos anos pelas operações de hedge, derivativos e securitização de crédito.

Aliado a isto, a internacionalização dos mercados consumidores e produtivos, resultado da globalização crescente da economia, gerou um novo cenário de interdependência de recursos externos.

De maneira proporcional ao crescimento da relevância do setor financeiro, as possibilidades de situações inesperadas e de instabilidade também se ampliaram significativamente nos últimos anos.

Esta nova realidade tornou a preocupação com risco, bem como a busca por soluções e ações preventivas, assunto essencial nos meios empresariais, acadêmicos e mesmo na sociedade.

Com a ocorrência nos últimos anos de crises de maneira mais freqüente, e de proporções significativas, a preocupação com risco tem levado administradores, investidores e governos buscarem mecanismo que previnam crises inesperadas permitindo minimizar ou mesmo eliminar perdas expressivas no sistema financeiro.

Depois disso vem todo o desenrolar de idéias buscando a discussão e proposições de soluções para o assunto, para o qual convido os interessados a lerem.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Prejuízo superior a R$4milhões em fraude com abertura de contas.

A impressa noticiou nesta segunda feira ação de estelionatários que através da utilização de documentos frios fraudavam bancos e comercio. Nos bancos esta ação ocorria através da abertura de contas correntes e obtenção de crédito pessoal. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/18/cidades,i=218654/POLICIA+PRENDE+QUADRILHA+ESPECIALIZADA+EM+FALSIFICACAO+DE+DOCUMENTOS.shtml


Cálculos superficiais dão conta que os fraudadores cefiados por Sueli Alves do Rego deram prejuízos estimados em R$4milhões, divididos entre 11 pessoas que atuaram por aproximadamente 2 anos em Brasília em outros dois estados.

Considerando apenas o fator interno, o sistema financeiro sofre este tipo de ação principalmente pela não observação de atitudes básicas e até instintiva de verificação, que poderiam se efetuar no ato do recebimento dos documentos pelo próprio atendente.

Procedimentos como a simples confirmação dos telefones, endereços, documentos, checagem de cpf, dos comprovantes de rendimentos e confirmações com o próprio cliente dos dados apresentados, reduziriam significativamente a possibilidade de fraudes.

Estes são princípios fundamentais a serem adotados nos pontos de atendimento a clientes e que, por muitas vezes, não ocorrem por fatores que vão desde a despreocupação, até inexperiência dos responsáveis, passando inclusive pela exigüidade do tempo disponível para estas ações.

Um último fator que possibilita tais ocorrências, e é o que se especula ter ocorrido neste caso, é o envolvimento de funcionários. Neste caso, somente uma supervisão efetiva, a segregação de funções, o rodízio, férias permitem minimizar incidências de fraudes.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prejuízo de R$85milhões em fraude com investimento em ações.

Um esquema fraudulento de operação de investimento que era coordenado pelo empresário israelense Doron Mukamal, gerou um prejuízo de R$85 milhões a investidores estrangeiros. Em matéria apresentada pelo deputado William Woo, foi possível conhecer o procedimento que era operado em Miami e em São Paulo.

Através de um escritório em São Paulo era feito contato com investidores estrangeiros no exterior oferecendo condições vantajosas para a compra de ações com pouca ou nenhuma liquidez em poder desses investidores. Em troca, os falsos agentes financeiros pediam o depósito antecipado de taxas e comissões, com a promessa de que a quantia seria posteriormente devolvida.

Para dar confiabilidade no investimento eram forjados sites de empresas de fusões e aquisições, bem como de agências reguladoras do mercado financeiro nos EUA e de países da Ásia. Aceita a oferta apresentada pela quadrilha, os investidores tinham de depositar o dinheiro em contas nos EUA.

Para apagar pistas sobre a origem do dinheiro, o pagamento feito pelos investidores era transferido depois para várias contas. Só então era remetido para o Brasil, por meio da ação de doleiros, onde era lavado com investimentos principalmente no mercado imobiliário.

O empresário está detido no Brasil e teve pedido de hábeas corpus negado nesta terça feira 06/10/2010 pelo Superior Tribunal de Justiça.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Prisão de Ciber-Criminosos da Inglaterra.

Uma das diretrizes do Acordo de Capitais de Basiléia é a administração dos riscos nas instituições financeiras. Com este objetivo os riscos são segmentados e partindo da prática adotada pelas empresas do setor, podemos classificar em sete partes: O Risco de Mercado, o Risco de Crédito, o Risco de Liquidez, Risco Legal, Risco de Conjuntura, Risco de Imagem e o Risco Operacional.

As orientações dos reguladores dos sistemas financeiros nacionais e os esforços das instituições do mercado buscam o fortalecimento destes setores de risco para garantir a estabilidade e a segurança dos agentes e da própria instituição.

Podemos dividir o item Risco Operacional em 7 subítens: Risco com pessoas -  procedimentos; Com pessoas - fraudes; Processual - adequação das formalizações contratuais; Tecnológico - armazenamento, confiabilidade e desenvolvimento adequados; Externo - adequação de serviços externos de terceiros, fornecedores e públicos; Criminoso - ações marginais inescrupulosas danosas ao patrimônio; e Catástrofe - prejuízos involuntários devido a catástrofes naturais ou humanas.

É no âmbito do Risco criminoso que vimos noticiado nesta quarta feira que na Inglaterra fraudadores eletrônicos foram presos, com a suspeita de terem roubado algo em torno de 6 milhões de Libras, quantia que poderá se tornar ainda maior, segundo Terry Wilson inspetor chefe, durante as investigações da Scotland Yard.

A Financial Fraud Action UK, órgão oficial que trata e previne fraudes na Inglaterra, estima que no ano passado £59,7 milhões foram perdidos com fraudes bancárias online e mais £440,0 milhões em fraudes com cartão de crédito.

Este é um desafio que reguladores, instituições, poder público e usuários do sistema financeiro devem assumir, não apenas evitar perdas, mas principalmente para estancar uma drenagem de recursos para o crime e a contravenção.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quebra a Takefuji Corp.

Exatamente dois anos após o colapso na economia mundial desencadeado pela falência do Lehman Brother, mais um sistema financeiro regional se recente pelas dificuldades na gestão de uma empresa financeira.

O problema ocorre no Japão com a empresa financeira - não bancária - Takefuji Corp., fundada em 1966, cujo proprietário Yasuo Takei foi considerado em 2005 pela Revista Forbes como a pessoa mais rica do Japão, com um patrimônio de US$ 5,6 bilhões.

A apreensão ocorre pela possibilidade de uma crise sistêmica que envolveria as empresas do setor, que poderia se estender ainda para Aiful, Acom e Promise maiores instituições deste mercado.

Este segmento surgiu no Japão em 1990, quando os bancos tradicionais frearam os créditos, atuando nos moldes de empresas de Credito Financiamento e Investimentos, atendendo principalmente demandas de créditos de consumidores, normalmente famílias de baixa renda.

Ocorre que em 2006 após a implantação de uma regulamentação mais dura sobre o setor, que aplicava as taxas mais elevadas em sua operações de crédito, o mercado se instabilizou levando inclusive a General Eletric e Citigroup deixarem o mercado.

Com as dificuldades operacionais, acrescida da decisão judicial de devolução de pagamentos de juros aos tomadores de credito junto à instituição, a Takefuji pediu concordata tornando-se a segunda maior quebra do ano no Japão atrás da Japan Airlines.

Caso as outras três instituições citadas consigam suportar o momento de instabilidade o problema poderá ser restringido, no entanto fica a preocupação da expansão da dificuldade gerando mais um foco de tensão no sistema financeiro.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Respondendo Matheus

Este post é desenvolvido a partir comentário de 16/09/2010 de Matheus, em que questiona o que significa financeiramente Basiléia 3; se os bancos finalmente terão que demonstrar os ativos que estão fora do balanço e o porque de se deixar ativos fora do balanço.
Este assunto requer muita reflexão porque envolve definições contábeis e macroeconômicas. E vou começar discorrer a partir do final.
De maneira simples, a contabilidade permite que não seja registrado eventos que não sejam necessariamente obrigações ou direitos, bastando para isso o registro em nota explicativa.
Um exemplo, no sistema financeiro, é uma carta de crédito de importação. Quando um banco a emite, se baseia no compromisso do importador  honrar seu pagamento se a remessa da mercadoria ocorrer nas condições acordadas. O registro contábil é simbólico, pois ninguém deve nada para ninguém até o momento do embarque.
Assim, outros eventos, como a negociação de carteiras de créditos entre bancos, também não são registrados. E o por que disso, eventual registro pode alterar o resultado da instituição financeira obrigando a reconhecer receitas ou mesmo despesas que ainda não se efetivaram tendo de ser oferecido para tributação, distribuição de lucros etc.
Se acontecer de certos ativos e mesmo passivos serem registrados as normas prudenciais exigirão novas capitalizações exigindo corrida ao mercado para reforço de seu patrimônio o que trará reflexos na economia do país, alterações nos compulsórios das instituições, liquidez do mercado, etc.
Os acordos de Basiléia buscam equilibrar estas disparidades porem de “maneira sustentável” com flexibilidade de tempo. Para se ter idéia a implantação do acordo prevê sua conclusão para 2019, o que permite ajustes que não comprometam a estabilidade das instituições e do mercado.